Escutar é estar presente
Todo dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, o mês inteiro carrega essa conversa — e conversa, quando feita com informação correta, salva vidas.
O CVV escuta, sem julgamento, 24 horas por dia, todos os dias do ano.
Uma cor para tirar o tema do silêncio
O Setembro Amarelo nasceu no Brasil em 2015, ampliando a data de 10 de setembro — o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) — para um mês inteiro de conscientização. A campanha nacional é hoje conduzida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Em 2026, o CVV conduz a campanha sob o tema “Escutar é estar presente”, reforçando que a escuta atenta — sem pressa de aconselhar ou resolver — é, muitas vezes, o primeiro passo para que alguém em sofrimento emocional não enfrente esse momento sozinho.
O que os dados mostram
Estimativas da OMS indicam ainda que, para cada morte por suicídio, ocorrem entre 10 e 40 tentativas — um retrato de quão comum é o sofrimento silencioso e de quanto espaço existe para a prevenção funcionar.
Sinais que merecem atenção
O comportamento suicida tem determinantes multifatoriais — biológicos, psicológicos, culturais e sociais — e raramente decorre de um único evento isolado. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, a quase totalidade dos casos está associada a condições de saúde mental não diagnosticadas ou não tratadas adequadamente. Reconhecer sinais é o primeiro passo técnico da prevenção.
Mudança de padrão
Alterações perceptíveis de humor, sono, apetite ou desempenho, especialmente quando surgem junto com isolamento social.
Desesperança persistente
Falas sobre não ver saída, ser um peso para os outros, ou de que “as coisas não vão melhorar”.
Comportamento de despedida
Organizar assuntos pendentes, doar pertences ou se despedir de forma incomum de pessoas próximas.
Retraimento súbito
Afastamento repentino de atividades, amigos ou rotinas que antes eram importantes para a pessoa.
Histórico prévio
Tentativas anteriores ou luto por suicídio na família são fatores de risco reconhecidos que pedem atenção redobrada.
Falar sobre morrer
Comentários diretos ou indiretos sobre morte devem sempre ser levados a sério — nunca ignorados ou minimizados.
O que fazer — e o que evitar
Faça
- Pergunte diretamente e com calma se a pessoa pensa em suicídio — isso não induz o comportamento, e sim abre espaço de acolhimento.
- Escute sem interromper, sem julgar e sem tentar resolver tudo imediatamente.
- Leve toda fala sobre morte a sério, mesmo que pareça “só um desabafo”.
- Ajude a acionar apoio profissional: CAPS, CVV (188) ou, em risco imediato, SAMU (192).
- Mantenha contato nos dias seguintes — o cuidado não termina na primeira conversa.
Evite
- Minimizar o sofrimento (“é frescura”, “vai passar”) ou comparar com problemas de outras pessoas.
- Prometer sigilo absoluto quando há risco real — buscar ajuda pode ser necessário.
- Deixar a pessoa sozinha em um momento de crise aguda.
- Detalhar métodos ou divulgar informações sensíveis sobre casos — isso é desaconselhado pelas diretrizes de comunicação segura da OMS.
- Tratar o momento como fraqueza de caráter — é uma questão de saúde, multifatorial e tratável.
Para onde encaminhar
CVV — 188
Ligação gratuita e sigilosa, 24h por dia, todos os dias do ano. Também disponível por chat e e-mail em cvv.org.br.
CAPS
Centros de Atenção Psicossocial do SUS oferecem acompanhamento contínuo e interdisciplinar para quem vive sofrimento psíquico.
SAMU — 192
Em risco imediato à vida, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência deve ser acionado sem demora.
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