Prevenção ao Suicídio

10 de Setembro – Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: o que os dados e a legislação mostram

Instituído em 2003 pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP), com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado todos os anos em 10 de setembro. No Brasil, desde 2015 a data também impulsiona a campanha Setembro Amarelo, criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV).

Mais do que uma data comemorativa, o 10 de setembro é um convite à ação: falar sobre saúde mental, reconhecer sinais de sofrimento e orientar quem precisa de ajuda para os canais certos.

Um problema de saúde pública

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o suicídio é responsável por mais de 700 mil mortes por ano no mundo e figura entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos. A boa notícia, reforçada pela própria OMS, é que a grande maioria dos casos pode ser prevenida com informação, diálogo aberto e acesso a tratamento adequado.

No Brasil, o cenário exige atenção redobrada. De acordo com o Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foram registrados mais de 16,8 mil casos em 2023 — uma média de 46 óbitos por dia. Entre 2013 e 2023, o número de suicídios no país cresceu 66,47%, somando população geral e população indígena. O compromisso assumido pelo Brasil junto à Meta 3.4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU é reduzir essa taxa em um terço até 2030.

O que diz a legislação brasileira

A principal referência legal é a Lei nº 13.819/2019, que instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Entre outras medidas, a lei determina:

  • notificação compulsória e sigilosa de casos de automutilação e tentativa de suicídio por estabelecimentos de saúde e de ensino;
  • manutenção, pelo poder público, de serviço telefônico gratuito e sigiloso de acolhimento a pessoas em sofrimento psíquico — a base legal que sustenta serviços como o CVV;
  • ações permanentes de educação e capacitação de profissionais de saúde sobre o tema.

Em 2020, o Decreto nº 10.225 regulamentou essa política e criou o Comitê Gestor responsável por sua implementação. Mais recentemente, um novo ato normativo formalizou o dia 10 de setembro como Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e o dia 17 de setembro como Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.

E no ambiente de trabalho?

Para quem atua na interface entre saúde ocupacional, nutrição e segurança do trabalho, um ponto recente merece destaque: desde a atualização da NR-1 pela Portaria MTE nº 1.419/2024, os fatores de risco psicossociais — como sobrecarga, assédio moral e falta de suporte no trabalho — passaram a integrar obrigatoriamente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de toda empresa com empregados regidos pela CLT, com fiscalização já em vigor.

Isso significa que a saúde mental deixou de ser tratada apenas como tema de conscientização e passou a fazer parte formal da gestão de riscos das empresas — o que inclui, direta ou indiretamente, a prevenção ao sofrimento psíquico severo relacionado ao trabalho.

Sinais de alerta

Não existe um único sinal que, isoladamente, indique risco — mas alguns padrões merecem atenção e conversa aberta:

  • isolamento social repentino ou afastamento de atividades antes prazerosas;
  • mudanças bruscas de humor ou de comportamento;
  • falas sobre desesperança, sensação de ser um peso para os outros, ou sobre morte;
  • descuido súbito com a própria aparência, saúde ou rotina.

Se você perceber esses sinais em alguém, o mais importante não é ter todas as respostas — é perguntar diretamente, com cuidado, e ouvir sem julgamento. A literatura da área reforça que perguntar sobre o assunto não induz o comportamento; pelo contrário, costuma aliviar a angústia da pessoa.

Onde buscar e oferecer ajuda

  • CVV (Centro de Valorização da Vida) — 188, ligação gratuita e sigilosa, atendimento 24 horas, também por chat e e-mail pelo site cvv.org.br
  • CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) — rede de atendimento gratuita do SUS, presente em municípios de todo o país
  • UPAs e emergências hospitalares — em situações de risco imediato

Considerações finais

Falar sobre suicídio, de forma responsável e baseada em evidências, é uma das ferramentas mais eficazes de prevenção que temos. Este texto tem caráter informativo e educativo — não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento por profissional de saúde mental habilitado. Se você ou alguém próximo estiver passando por um momento difícil, buscar ajuda é um sinal de força, não de fraqueza.


Fabricio Kraemer Nascimento Nutricionista Clínico CRN4 24100216 | Técnico em Segurança do trabalho CREA 2007114475

Referências: Organização Mundial da Saúde (OMS); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – Atlas da Violência 2025; Lei nº 13.819/2019; Decreto nº 10.225/2020; Portaria MTE nº 1.419/2024; Centro de Valorização da Vida (CVV).

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